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Rebecca Allen Tapp, Product Manager da Paralab Green, parte da Paralab SA

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Rebecca Allen Tapp, Product Manager da Paralab Green, parte da Paralab SA

Que fatores devem ser considerados na seleção de um método de extração para produtos medicinais e quais são as suas principais diferenças?

Ao escolher um método de extração para produtos farmacêuticos à base de canábis, é crucial ter uma visão clara dos seus objetivos. Comece por determinar o que pretende produzir e a forma final do material extraído, seja óleo, concentrado ou isolado. Outro fator-chave é a importância de manter o perfil de terpenos original, uma vez que os diferentes métodos o afetam de várias formas.

Os métodos de extração mais comuns na canábis são os hidrocarbonetos, o etanol, o CO2 e a separação mecânica, como a extração sem solventes, cada um com as suas vantagens. O CO2, os hidrocarbonetos e os métodos sem solventes são excelentes para preservar o perfil de terpenos, o que os torna ideais quando o aroma e o sabor da planta são essenciais. Embora estas características possam ser importantes para produtores e doentes, os especialistas que prescrevem focam-se sobretudo no teor de canabinoides. Por isso, o sabor e o aroma podem não ser a prioridade máxima para os extratos de canábis medicinal e, em regra, não são considerados pelos prescritores.

A extração com hidrocarbonetos é considerada um dos métodos mais eficientes, exigindo um pós-processamento mínimo, o que significa que o material extraído está mais próximo da sua forma final purificada em comparação com os métodos de CO2 e de etanol. No entanto, a extração com hidrocarbonetos tem limitações de escalabilidade e implica requisitos de segurança rigorosos devido aos baixos pontos de ebulição dos solventes, que são altamente combustíveis. Isto exige planeamento e medidas de segurança adicionais, aumentando os custos de instalação.

O etanol é frequentemente preferido para o processamento em grande volume, devido ao seu processo simples e eficiente, o que o torna ideal para operadores que lidam com grandes quantidades com o mínimo de complexidade. A extração com etanol remove eficientemente os compostos da planta e, após uma purificação adicional, cria uma base de elevada pureza, quase inodora e insípida, perfeita para a refinação adicional necessária para produtos à base de destilado ou isolado. No entanto, como o etanol é inflamável, exige um planeamento cuidadoso de armazenamento e de sistemas de deteção adequados.

O CO2 é uma escolha popular para a extração de canábis e é também amplamente utilizado na extração de óleos essenciais, porque remove eficazmente os óleos sem deixar resíduos. É mais limpo e mais amigo do ambiente do que muitos outros solventes, sendo preferido para práticas sustentáveis. Embora o CO2 não esteja totalmente isento de riscos, apresenta significativamente menos preocupações de segurança em comparação com os métodos de etanol ou de hidrocarbonetos.

Tanto a extração com CO2 como com etanol requerem pós-processamento, acrescentando dias de refinação e equipamento adicional, o que pode aumentar o investimento global. Por outro lado, os métodos sem solventes separam mecanicamente os canabinoides e os terpenos sem químicos. Populares nos mercados recreativos, a extração sem solventes é preferida por ser um processo mais limpo, uma vez que evita a dissolução química dos tricomas da canábis. Embora os métodos sem solventes exijam frequentemente menos investimento inicial e custos operacionais mais baixos do que as técnicas à base de solventes, podem enfrentar limitações de escalabilidade.

Selecionar o método de extração certo depende de vários fatores, incluindo os produtos que pretende fabricar e os requisitos regulamentares do seu mercado. Além disso, considere a escalabilidade e a pegada do método. Como os sistemas de extração representam um investimento significativo, o ROI deve ser avaliado considerando o CapEx, o OpEx, a capacidade de produção, a eficiência, a manutenção, a escalabilidade e as potenciais fontes de receita. Na Paralab Green, oferecemos soluções à medida para o ajudar a escolher o melhor método de extração para as suas necessidades de produção.

Como se determina o rendimento da extração e que fatores podem influenciar a eficiência global do processo?

Existem vários fatores que influenciam a eficiência da extração de canábis, incluindo o tipo de material de partida, o método de extração utilizado e as etapas posteriores (processos a jusante).

Na indústria da canábis, os produtores calculam normalmente o rendimento com base na quantidade de material utilizável extraído do volume total de matéria-prima processada. No fabrico farmacêutico, os cálculos de rendimento garantem que o material produzido cumpre as normas de qualidade e de quantidade. Ao produzir canábis medicinal, é crucial calcular o rendimento com exatidão, assegurando ao mesmo tempo que o processo pode ser repetido de forma consistente.

No entanto, o rendimento por si só não conta toda a história, porque não reflete a quantidade de THC ou de outros canabinoides no extrato. É por isso que a eficiência da extração é igualmente importante. A eficiência da extração mede a quantidade de THC extraída em comparação com a quantidade disponível na matéria-prima (feedstock). Isto ajuda a avaliar o quão bem o processo capta os canabinoides. A potência do material de partida também afeta diretamente a potência do material extraído, o que, por sua vez, afeta a rentabilidade.

A par da qualidade e da consistência do material de partida, outros fatores importantes como a pressão, a temperatura, o peso de entrada e o tempo de extração desempenham um papel na determinação da eficiência do processo de extração.

Na Paralab Green, analisamos todo o processo de extração, desde a preparação da matéria-prima até aos processos a jusante. Sabemos que os métodos de preparação, como a secagem, a moagem e a descarboxilação, podem influenciar certos métodos de extração. Por exemplo, moer o material pode melhorar a eficiência da extração, mas, se for moído demasiado fino, também pode permitir que compostos indesejáveis como a clorofila passem para o extrato. Os ajustes na preparação têm de ser feitos com base tanto na qualidade do material de partida como no método de extração escolhido.

Ao considerar o equipamento de extração, é importante estimar o seu rendimento inicial. Terá depois de afinar essas estimativas quando o sistema estiver a funcionar e utilizar os rendimentos reais para criar procedimentos operativos normalizados (POP). Por exemplo, se extrair 600 gramas de material a partir de 6000 gramas de matéria-prima, o seu rendimento seria de 10%.

A fórmula é simples:

(Peso do extrato ÷ Peso de entrada) × 100% = Rendimento

Por exemplo, 600 g de extrato ÷ 6000 g de biomassa = 10% de rendimento.

Perder rendimento ou ter uma eficiência deficiente pode ter graves consequências financeiras, afetando a rentabilidade. É por isso que é importante considerar todos os aspetos da operação, desde o cultivo das plantas até à seleção do equipamento de extração adequado e à adoção das melhores práticas de limpeza e manutenção.

O que são «extratos de espetro completo» e em que diferem dos extratos isolados ou de espetro amplo?

O espetro refere-se à gama de compostos encontrados nas glândulas tricomáticas das plantas de canábis. Quando se ouve o termo espetro completo, significa que foram feitos esforços para preservar o perfil original da planta, incluindo canabinoides, terpenos, flavonoides e outros compostos ativos. O objetivo dos extratos de espetro completo é captar todos estes compostos dos tricomas sem os alterar, removendo ao mesmo tempo gorduras, ceras e lípidos indesejáveis.

Os produtos de espetro completo, como o Óleo de Canábis de Espetro Completo (FSCO) e o Óleo de Canábis de Extrato Completo (FECO), são frequentemente comercializados como altamente terapêuticos devido à sua vasta gama de compostos. Com concentrações mais elevadas de THC, estes produtos são habitualmente utilizados na canábis medicinal na Europa ou estão disponíveis em dispensários nos mercados recreativos. Apesar do seu perfil de compostos mais amplo, os terpenos e os flavonoides não são normalmente considerados nas prescrições médicas, onde o teor de canabinoides continua a ser o foco principal.

No extremo oposto, existem os isolados, que são formas concentradas de apenas um composto, frequentemente um canabinoide como o CBD, o THCA, o CBG, o CBC ou o CBN. Um dos principais benefícios do isolado de CBD é estar completamente isento de THC, o que o torna ideal para quem prefere evitar o THC por sensibilidade, preferência pessoal ou preocupações com testes de despistagem de drogas. No entanto, os isolados requerem uma purificação muito maior e carecem dos efeitos sinérgicos encontrados nos produtos de espetro completo.

No meio está o espetro amplo, que normalmente descreve produtos de CBD que contêm vários canabinoides e terpenos da planta, mas sem THC. Alguns produtos de espetro amplo podem conter vestígios de THC (normalmente abaixo de 0,2% na Europa e 0,3% nos EUA).

Tanto o isolado de CBD como os produtos de espetro amplo estão geralmente disponíveis sem receita, uma vez que contêm pouco ou nenhum THC. No entanto, a regulamentação varia consoante o país, pelo que é importante informar-se sobre as leis locais antes de comprar produtos de espetro amplo online.

Em termos de processamento pós-extração, os produtos de espetro completo são os que sofrem menos, enquanto os isolados requerem mais refinação. Em última análise, escolher entre espetro completo, espetro amplo e isolado depende das necessidades individuais e da orientação dos profissionais de saúde.

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